comunicação

O TEMPO PARCEIRO DOS HOMENS

O que o profissional de vendas está reconhecendo é que surge um novo homem/mulher nesse aprendizado sobre como vender mais.

Nesse entendimento, a profissão aprimorada de Vendedor, necessariamente não implica na adesão irrestrita ao capitalismo.  Preservando orientações para disciplina e métodos da empresa à quem que por acaso esteja atrelado-vendendo, mantem livre a consciência, especificamente sua, porção espiritual do seu trabalho, a qual não entra no negócio.  Um vendedor que aprende, que se qualifica, se reconhece em ideologia e princípios.  O melhor vendedor será sempre um homem livre.  Venderá sim, sem que o tempo lhe seja roubado. E sente que sua alma canta quando escuta Nana Caymmi na canção de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc – Resposta ao Tempo:

“Batidas na porta da frente: É o tempo. / Eu bebo um pouquinho/ Pra ter argumento…/

Mas fico sem jeito, / Calado; ele ri;/ Ele zomba do quanto eu chorei / Porque sabe passar/

E eu não sei. / Num dia azul de verão/ Sinto o vento. / Há folhas no meu coração;/ é o tempo… / Recordo um amor que perdi, / Ele ri. / Diz que somos iguais – Se eu notei, / Pois não sabe ficar / E eu também não sei…/ –  E gira em volta de mim, / Sussurra que apaga os caminhos, / Que amores terminam no escuro, sozinhos…/ – Respondo que ele aprisiona, / Eu liberto. / Que ele adormece as paixões, / Eu desperto…/ –  E o tempo se rói, com inveja de mim, / Me vigia querendo aprender / Como eu morro de amor/ Pra tentar reviver…/ – No fundo é uma eterna criança / Que não soube amadurecer;/ Eu posso, ele não vai poder / Me esquecer…”

Dessa forma poética saudável, um vendedor aprimora o conhecimento e se refaz no próprio tempo, que poderia tornar-se seu carrasco. 

Um certo dia, só Deus sabe quando, alguém teve a feliz ideia de cortar o Tempo em fatias, a que se deu o nome de ano. Deve ter sido um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.  Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos e esperar que tudo comece outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente, a despeito de toda burocracia tudo vai ser diferente. Na compreensão de uma urgência  saudável, vai equalizando o tempo na paciente e tolerante espera do fechamento de suas vendas. Sem stress patológico nem hiperatividade, embora sem produtividade. Consciente de um final feliz para o cliente e para si. Cômodo, não?!…

  O TEMPO – SENHOR DA RAZÃO

Há uma frase que, popularizada, tornou-se célebre: O Tempo é senhor da Razão. Chega aos nossos ouvidos como uma advertência. Teria sido dita inicialmente pelo escritor francês, Marcel Proust, nas alusões referidas no seu romance mais célebre “Em Busca do Tempo Perdido”, escrito há um século.  Há também e principalmente, uma tecnologia sobre a qual é necessário ter um certo domínio –  até para que não seja utilizada como instrumento de uma ideologia capitalista, contra a pessoa, vendedor/vendedora. Essa tecnologia agiliza o tempo de quem precisa dele; assim como angustia quem dele depende. Daí ser oportuno lembrar nessa reflexão, o conceito que tinha os gregos sobre o tempo, na antiguidade.

Para eles, sempre profundos, havia dois tipos bem distintos de TEMPO: uma coisa era O CRONOS – o tempo que passa, contado em dias, meses, estações, dividido na infinidade dos segundos e na lentidão dos milênios. Outra coisa era O KAIROS – o momento certo, propício, a ocasião oportuna para as coisas acontecerem. – Se eu decido que vou colher os frutos dos meus cajueiros ou do manguezalem outubro, (início de safra), isso é CRONOS. – Se eu for, todavia, mais sábio, esqueço o relógio e o calendário e trato de colher essas frutas só quando a cor e o cheiro anunciarem que elas estão maduras; isso é KAIROS.

 Na mitologia grega, KAIROS era representado por uma Divindade jovem, vibrante, com asas nos calcanhares velozes. Sua cabeleira era peculiar, pois não crescia de forma habitual: tinha um grande topete na frente, uma longa madeixa de cabelo que caia em cachos espessos, quase ocultando sua face, enquanto a nuca e a parte de traz da cabeça, eram completamente calvas…

 Séculos mais tarde, em Roma, teve seu nome mudado para OCCASIO – “ocasião”, mas, sua imagem continuou a mesma; uma alegoria simples, mas dolorosa, a nos lembrar que a ocasião estará irremediavelmente perdida se não a agarrarmos no momento em que ela passar.

No vestíbulo do templo de Delfos, dizem, estava escrita a frase mais importante de cada um dos Sete Sábios da Grécia. A de Pítaco de Mitilene era justamente “espera o KAIROS”, isto é:  aguarda a hora certa.

Pensando juntos: É impossível esquecer que o tempo de CRONOS existe –  já que dentro dele nascemos e por ele seremos um dia devorados; o difícil é lembrar que existe também o tempo privilegiado do KAIROS, aquele momento exato, oportuno, que precisa ser respeitado. Igualmente indispensável para fechar uma venda, furar uma onda, desviar uma bola para dentro do gol, ou dizer a alguém “eu te amo”. 

 Lembre-se também, serenamente, que para qualquer um, difícil mesmo, será atinar com esta justa medida, com esse momento preciso, de enxergar aquela fina película que separa um “ainda não” de um “agora é tarde”. 

 Os gregos sabiam disso. Tanto, que diziam que esse instante feliz era um dos raros momentos em que se recebia a visita dos Deuses.

LIVRO: Uma imagem, uma ideia, um produto. Venda o que seu cliente precisa.

Autores: Tadeu Nascimento e Rosemberg Pires