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O OUTRO: EMOÇÕES E INTELIGÊNCIAS

Saímos do Ser para o Viver. Concentre-se. Tudo isso pode, a princípio, lhe parecer estranho, porém, tem tudo a ver com a criatividade e o senso de oportunidade que deve ter um autêntico Vendedor.

Letícia Torres, publicitária norte-rio-grandense, com sua sensibilidade poética nos indaga em um dos seus poemas:

“A palavra Desespero, fala dos que cansaram?

Ou dos que, inconformados com a falta que sentimos,

Não conseguem mais desistir”?

No entender de muitos até o amor é um tema tão ultrapassado como a própria Modernidade. Ocorre que não há como negar que, aproximar-se do Outro é abrir espaço para o amor e esse tema é base para muitos autores contemporâneos, estudiosos do comportamento humano, que se referem ao amor como ponto de partida de quaisquer subordinados, basilar e imprescindível nas relações de quem precisa comprar e quem tem e sabe como vender.

O tema será sempre atual e pede sempre novos enfoques, relatos e especialmente, vivências.

Quem precisa saber o que seu cliente em potencial vai precisar, terá que usar inteligências múltiplas.  Já conversamos sobre elas ainda no primeiro fascículo, lembra? Pois bem.

O senso comum classifica como “falta de educação”, quando no convívio social ou profissional, alguém trata grosseiramente um semelhante. Ser grosseiro, arrogante, mal-humorado nas relações sociais não é ético. Também já lhe deixamos boa noção sobre condutas éticas nos negócios de Vender… Especificamente, o tema agora não é “Ética”, no entanto, torna-se importante lembrar que a capacidade de perceber com precisão, de avaliar e de expressar emoções que definam, por exemplo, Inteligência Emocional, também qualificariam a pessoa com esse domínio de “bem-educado” – e ético… o que nos impõe uma interdisciplinaridade. Cada um poderá tirar o melhor proveito disso.

Ser feliz é anseio natural do homem, desde que identificou sua racionalidade. Sem precisar recorrer às teorias, também sabemos por vivência, que o Eu só se realiza na identificação do Outro, ou seja: é preciso conviver para ser feliz.

Ora, somos feitos de emoções. Alegria ou irritação, medo ou surpresa, pesar ou orgulho: os acontecimentos mais banais despertam múltiplas emoções que acompanham cada instante do nosso cotidiano, onipresentes como o ar que respiramos. Apesar disso, empenhamo-nos quase sempre em conter nossos sentimentos ou em mantê-los dentro dos limites toleráveis. Assim, quase nenhuma emoção escapa ao crivo da consciência.

Por que, afinal, buscamos controlá-las? Elas não são valiosas demais para serem reprimidas?  – Outra questão: como conseguir conter nossas emoções? Profundamente enraizado em nossa herança biológica, o animal dentro de nós, parece muito mais forte que qualquer mecanismo mental de mediação.

Esses temas estão no centro de uma área de pesquisa na qual, psicólogos, sociólogos, antropólogos e, mais recentemente, neurocientistas têm adquirido valiosos conhecimentos.  É neles e seus saberes que vamos buscar mais esclarecimentos sobre o uso das emoções.

Tradicionalmente, aquela primeira questão – se o homem pode de fato controlar suas emoções – sempre foi respondida afirmativamente. Os estoicos já a postulavam. Marco Aurélio (120-180 d.C.), por exemplo, escreveu em suas Meditações: “Livre da Paixão a mente humana torna-se mais forte”. E quase dois mil anos depois, em O Mal-estar da Civilização (1929), Sigmund Freud explicou porque emoções transbordantes seriam irreconciliáveis com o convívio social.

O grande dilema do controle das emoções e sentimentos chega à nós e compromete o convívio, a produtividade, o sucesso, a felicidade. Era preciso um novo conceito de Inteligência tendo como eixo central as emoções. Expande-se o conceito de inteligência “fator g” e descobrimos na prática cotidiana que é possível sim, ter sucesso, ser produtivo, liderar, ser e, mais que isso, fazer outros felizes.

Não se surpreenda, mas, é o que nós pretendemos aqui; refletir, redescobrir e até exercitar nossa Inteligência Emocional.

À alguém que se proponha fazer da arte de vender sua profissão, diante da nova realidade competitiva e do crescente nível de exigência do mercado atual, torna-se inevitável a aplicação da Inteligência Emocional para a obtenção da satisfação pessoal no trabalho. A inteligência emocional tem importância fundamental na ação de vender e dela depende muito a sobrevivência do próprio mercado profissional. As emoções quando são adequadamente controladas permitem uma boa produtividade, um bom relacionamento e bem-estar, e são também capazes de gerar mais lealdade e compromisso nessas relações comerciais. Mais adiante, falaremos do malabarismo das emoções e das inúmeras situações em que a inteligência emocional pode ser aplicada no trabalho, como desde as resoluções de problemas operacionais, até o conflito de opiniões diversas durante uma reunião com o líder. Essa Inteligência, aplicada às atividades laborativas é fundamental para a realização pessoal e profissional, uma vez que a falta da capacidade para lidar com as próprias emoções pode destruir vidas e acabar com carreiras profissionais. A realização e a satisfação no trabalho são alguns dos principais fatores geradores dos sentimentos de felicidade e bem-estar.

Você quer aprender, apreender e ser um(a) Vendedora(a).  E, naturalmente, você quer se dar bem, ser feliz. É o momento de lhe perguntar:  O que você quer dizer com esse “eu quero ser feliz?” O que seria exatamente, essa tal felicidade???

Definir felicidade tem lá suas complicações. A representação dessa palavra e seu conceito evoluíram ao longo da história da humanidade. São vários os sentidos e entendimentos e, pela sua subjetividade, variam os sentidos de pessoa para pessoa.  Mas, devo dizer-lhes desde já que felicidade existe, dá trabalho e talvez por isso, muitos acabam desistindo de conquistá-la.  Estou certo que é nosso caso.  Note-se que algumas pessoas insistem em buscá-la, porém, iludem-se tentando encontrá-la nos prazeres. Sêneca, filósofo espanhol contemporâneo de Cristo, observando sua sociedade abastada, mas infeliz, recusou-a como padrão de referência dizendo que, “para ser feliz o indivíduo precisa recursar-se seguir a multidão”.

Outro esclarecimento importante. Felicidade não são apenas, “momentos felizes”, como canta Odair José. “Felicidade/ não existe/ o que existe na vida/ são momentos felizes.

Quando falamos de felicidade nos referimos a níveis constantes de felicidade. Alguém que coloca na balança os momentos felizes de sua vida e a vê pender para o lado da felicidade. E ressalte-se que é alguém que tem problemas, vivencia situações delicadas e momentos triste, mas, ainda assim sente-se feliz.

 Movida por interesses econômicos, a cultura ocidental tem cometido o lamentável equívoco de confundir, Felicidade com Prazer. Não é à toa que vemos muitas pessoas recorrerem às compras como forma de aliviar suas angústias, obtendo apenas paliativos que, em última instância, nada mais fazem do que distanciá-las ainda mais da verdadeira felicidade. Para você ficar convicto da felicidade mais completa, mais adiante teremos o momento oportuno para identificá-la com o resultado desse aperfeiçoamento profissional que estamos desenvolvendo.  Essa leitura já nos permite uma sensação de bem-estar!

REFLEXÃO DE PÁGINA:

O mundo nos chama e consagra ou escolhe pelo que temos de aparente ou pelo que desenvolvemos e melhoramos como forma de defesa e de sobrevivência. O que temos de melhor é apenas uma de nossas partes, talvez a mais fraca e sensível ao afago, elogio ou lucro de qualquer natureza.

Ajustar a vida ao que se é, em mistério, dualidade, dúvidas e certezas tímidas ou ferozes, é caminhar contra o que interessa à nossa parte mais fraca que é, também, a mais exigente e cheia de ‘razões’. Há mil razões para seguirmos nossas partes mais fracas. Há, até, nobres razões. A vida é uma incessante escola de aperfeiçoamento do ser.

Ninguém pode ter a pretensão de se desligar dessa certeza. Só o constante trabalho, externo e interno, tornam o homem harmônico e feliz, vital e exemplar, lúcido e sensível. É a realização diária desse exercício interior, o que traz harmonia e paz…

Livro: Uma imagem, uma ideia, um produto. Venda o que seu cliente precisa.

Autores: Tadeu Nascimento e Rosemberg Pires