Arquitetura

Feira como expressão da cultura regional

Manifestação de costumes, hábitos e comportamentos cearenses, a Feirinha da Beira Mar se mostra como um dos mais tradicionais pontos turísticos de Fortaleza

Por Natália Guerra e Rochelle Guimarães

Das famosas camisetas coloridas e estampadas com os principais pontos turísticos locais às lembrancinhas feitas com matéria-prima regional, quando se pensa em artesanato cearense quase tudo pode ser encontrado na famosa Feirinha da Beira Mar. Situada no calçadão da Avenida Beira Mar, em Fortaleza, a Feirinha é, sem dúvidas, parada obrigatória para os turistas que desejam levar um pedaço do estado que atrai cerca de três milhões de turistas por ano.

            A feira, que existe desde a década de 1980, tornou-se não só o principal espaço onde os artesãos cearenses podem vender seus trabalhos, mas um símbolo da cultura local. Conhecida e valorizada por ser uma atividade original, criativa, manual e que tende a resistir ao processo industrial, o artesanato representa as manifestações de um povo e de seus costumes. Lá, o peso da tradição parece ganhar dos encantos de um produto industrializado.

O dourado vibrante das bijuterias da barraca de Helaine Dias (22) e Nivea Aguiar (35) chama atenção de quem passa pelos corredores da feira. Juntas, elas produzem e vendem brincos, colares, pulseiras, bolsas e objetos de decoração em capim dourado. Segundo as artesãs, a beleza natural do material, que faz lembrar a elegância do ouro, é a alma do negócio. A matéria prima, que vem do município de Jalapão, em Tocantins, de haste fina e de intenso tom metálico, pode dar vida a graciosas peças artesanais.

 “Ela é o gênio de tudo”, respondeu Nivea quando questionada sobre quem desenhava os modelos das bijuterias. Ela, na ocasião, é Helaine que disse não ter dificuldades em pensar o design de cada modelo vendido na barraca. A jovem acrescentou ainda dizendo que “nosso trabalho não envolve nada de maquinário, é tudo manual”. O trabalho é, de fato, minucioso e cada peça ali apresentada parece ter sido arquitetado com toda dedicação possível.

Do estudante de História jubilado que se tornou artesão          

            Raimundo Rios Neto está na feira há 30 anos e não lhe faltam histórias sobre o lugar. Típico contador de causos, o senhor de 55 anos confessou, entre risos, já ter vivido, entre um venda e outra, muitos casos amorosos.

            Seu Raimundo, como é conhecido, vende peças de decoração feitas de argila de massapé, um tipo de matéria prima própria de nosso solo semiárido. Pequenos sertanejos, santos, casal dançando forró e outros ícones da cultura cearense colorem a barraca do artista.

            “A maioria das peças é produzida por mim, mas não consigo dar conta de tudo, acabo pegando peças feitas por outros artesãos”, declarou seu Raimundo ao falar sobre o visível aumento de barracas vendendo produtos manufaturados. Apesar disso, ele acredita que a feira já faz parte da história, da cultura cearense.

“O trio é a mesma coisa!”, disse o artesão sobre o seu trabalho. Segundo ele, cada peça ali disposta em sua barraca conta um pouco de quem é o povo nordestino e que a feira ajuda a compor parte dessa identidade dos cearenses.

FONTE: <https://lidesealgomais.wordpress.com/2013/02/>