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CRISE DA MEIA IDADE OU ETARISMO

Nem uma coisa nem outra… O mercado para vendedores não é tão marcado por mitos e ou preconceitos. O talento individual, garra, persistência, cordialidade, visão do outro, resiliência, o conhecimento de causa, são atributos tão necessários que, quem os detém tem trabalho em vendas sim. Independentemente da idade que possa ter.

A chamada crise da meia idade faz parte da cultura popular. Diz-se daquele período da vida em que as pessoas começam a fazer alguns questionamentos sobre suas realizações pessoais e pensar na morte. O termo foi criado na década de 60 do século passado por Jacques Elliott* para descrever um período em que os adultos se dão conta que o tempo passou e se preocupam com quanto tempo ainda lhes renta de vida. Geralmente ela acontece entre os 40 e 60 anos de idade e pode ser desencadeada por diversos motivos – morte de pessoas próximas, perda de emprego, insatisfação existencial, etc. Curiosamente, a crise existencial´´ é mais constante em culturas como a brasileira, onde a juventude é considerada como um valor de vida.  As pessoas afetadas, homens e ou mulheres, sofrem o risco de uma depressão, pelo nível de insatisfações que possam alcançar.  Fisicamente, a crise pode estar relacionada com a menopausa ou a andropausa. Nas mulheres pela suspensão do ciclo menstrual, normalmente entre 45 e 55 anos. Nos homens, variam a partir dos 50 anos, ante a queda de produção de testosterona, mas atinge uma parcela bem menor dos homens.

Objeto de estudos científicos, menopausa e andropausa são apontados por creditados psicólogos – como Carlo Strenger, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, como um mito. Strenger tem pesquisas que revelam que, pela Europa, a maioria de pessoas na chamada “meia idade”, bem ao contrário do que se ocorre na América Latina, se revelam mais felizes e equilibradas que há 20 anos mais jovens. Na verdade, este pode ser o momento ideal para muitas pessoas lidarem com projetos e sonhos que vinham sendo adiados. Além do que, a expectativa de vida no Brasil para os próximos 30 anos ultrapassa os 90 anos. Vamos fazer o quê? Vamos vender.

Jacques Elliott-  Médico canadense/estadunidense que dedicou sua vida ao estudo das relações organizacionais e formas de torná-las mais harmônicas, efetivas, justas e produtivas. Trabalhou como parte do corpo de recrutamento de oficiais na Segunda Guerra Mundial, na Inglaterra.  Morreu em 2003, deixando vasto legado bibliográfico e importantes descobertas nos campos da gestão administrativa e da psicologia cognitiva.

 Sobre Etarismo – É um termo ainda raro, porém utilizado cada vez mais na área da Saúde.  Num contexto profissional, podemos dizer que já se encontra enraizado em estereótipos e preconceitos relacionados à idade.  Preconceitos baseados em raça, classe social, idade, entre outros, são frequentemente reclamados por interferirem nas oportunidades de emprego.

Ainda em 2013, a edição 1037 da Revista Exame, dedicava amplo espaço ao desligamento do CEO do Banco Itaú, Roberto Setúbal, na época, com 58 anos. A matéria questionava no título: “Velho demais para Liderar? ”.  E comentava a política de aposentadoria compulsória da empresa, aos 62 anos, destacando que, em quase 20 anos à frente do Banco, Setúbal era responsabilizado por elevar 40 vezes o valor do banco no mercado financeiro. Mas, a revista não utiliza a palavra Etarismo, para explicar as razões que justificassem o desligamento de profissionais plenamente capazes, apenas por terem atingido uma determinada idade. Ao contrário, a justificativa para tal política organizacional seria “mostrar aos jovens que há espaço para crescer na empresa”.

Atualmente, segunda década do século XXI, políticas de Recursos Humanos que ainda adotam aposentadoria compulsória semelhantes ao caso citado na Exame, comprovadamente têm se mostrado produtoras de conflitos intergeracionais. São cada vez menos adotadas.  O contrário, contratar ou promover pessoas mais maduras e com mais tempo de vivências profissionais para novas posições –  em especial no campo de vendas – mostra-se não apenas necessário, bem como, uma boa prática social e de gestão. 

Nos stands de venda de imóveis é difundida com certo orgulho uma máxima desenvolvida nas reuniões de treinamentos para equipes, para vender quaisquer produtos – que vender é atributo dos que têm persistência, capacidade de convencimento e perseverança e que essas coisas não têm idade. Os corretores de imóveis compraram o pacote de estímulos por inteiro e sustentam a sua versão afirmando que “um bom corretor não tem idade”.

REFLEXÃO DE PÁGINA:

  “ HÁ HOMENS QUE LUTAM UM DIA E SÃO BONS.  HÁ HOMENS QUE LUTAM UM ANO E SÃO AINDA MELHORES HÁ AQUELES QUE LUTAM MUITOS ANOS E SÃO MUITO BONS; PORÉM, HÁ HOMENS QUE LUTAM A VIDA TODA: ESTES SÃO IMPRESCINDÍVEIS” 

 (Bertold Brecht)

LIVRO: Uma imagem, uma ideia, um produto. Venda o que seu cliente precisa

AUTORES: Tadeu Nascimento e Rosemberg Pires